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MairismoO manifesto dos pensamentos de Maíra |
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January 07 Questionário01 - Que horas são? 19:1602 - Nome: Maíra Teixeira Cordeiro 03 - Idade: 20 redondinho 04 - Tatuagens? Nenhuma 05 - Piercing? Não 06 - Já foi à África? Ainda não! 07 - Já ficou bêbado? Não 08 - Já chorou por alguém? Sim. Tanto por pessoas que mereceram quanto por pessoas que não mereceram. 09 - Já esteve envolvido em acidente de carro? Não 10 - Peixe ou carne? Peixe Frito 11 - Música preferida? Sereníssima do Legião, Humiliation do Yoñlu, Leve do Jorge Vercilo, Formato Mínimo do Skank, Igual a Você e Astronauta de Mármore do Nenhum de Nós, Uns Dias do Paralamas... 12 - Cerveja ou Champagne? Refrigerante de Limão ou Guaraná 13 - Metade cheio ou metade vazio? Metade é metade, oras... 14 - Lençóis de cama liso ou estampados? Ihhhhh, sendo lemçol tá bããããão. 15 - Filme preferido? Chocolate, Ponto de Mutação... desculpe, não sou muito de filme. Ah, tem o Turma da Mônica na Máquina do Tempo!!! 16 - Flor preferida? Ahhhhhnnnnnnn... Orquídea! 17 - Coca-cola simples ou com gelo? Geralmente é com gelo, mas como eu estou com dor de garganta, se me oferecessem hoje eu tomaria sem gelo. 18 - Quem dos teus amigos vive mais longe? Gabriel Lianto. Ceará. Alguém que conheci em época bastante obscura de nossas vidas. 19 - Quantas vezes vc deixa o telefone tocar antes de atender? Duas vezes 20 - Qual a figura do seu mouse pad? É o meu exemplar pocket do Frankenstein de Mary Shelley 21 - Cd preferido? Coletânea do Legião Urbana 22 - Mulher bonita? Toda aquela que se valoriza. 23 - Homem bonito? Todo aquele que leva os sentimentos das pessoas a sério. 24 - Pior sentimento do mundo? Falta de esperança 25 - Melhor sentimento do mundo? Realização 26 - O que uma pessoa não pode ter para ficar com vc? Arrogância, certeza de que sabe de tudo 27 - Qual o primeiro pensamento ao acordar? "Jááááááááá? Tão cedo... Droga! Meu motor não pega!!!" 28 - Qual o ultimo pensamento antes de dormir? "Era uma vez uma garota que entrou em uma máquina que acreditava ser de teletransporte..." 29 - Se pudesse ser outra pessoa quem seria? Uma das maiores escritoras da Literatura Universal 30 - O que vc nunca tira? Os óculos 31 - O que vc tem debaixo da cama? Um monte de calçados chutados lá para baixo sem querer. 32 - Uma frase: "Tudo vale a pena quando a alma não é pequena." É do Fernando Pessoa, mas não me pergunte qual deles... 33 - Que dia é hoje? Quarta, 7 de janeiro de 2009 34 - Qual o livro que vc esta lendo? O Mundo de Sofia 35 - Uma saudade: Vó Celeste... November 27 Outra História da FaculdadeContado por Cássia Depois da aula. Estava lá a Heloísa com alguns amigos dela. Eles falavam de filmes. Filmes que eu nunca havia visto. Deviam ser daqueles mais cult, que nunca passam na Sessão da Tarde. Falavam de relações que se poderia fazer entre aqueles filmes e a matéria. A professora passou por eles. Notou que eles estavam falando da matéria. Falou de uma pesquisa que ela estava coordenando. Depois de mais alguns minutos de conversa ela convida a Heloísa para participar da pesquisa. A pesquisa era sobre regionalismo! Eu adorava aquilo. Mas o regionalismo está distante das pessoas. Meu pai era do interior e pouco sabia sobre o que os escritores entendiam por regionalismo, mesmo quando se referia ao lugar onde ele nasceu. "Ah, a próxima semana vai estar folgada em Leituras Orientadas! Agora que já acabamos o trabalho do Kafka..." "Mas a professora pediu o Orlando da Virgínia Wolf..." "Ah, mas eu já estou lendo, estou quase no final." A Heloísa era assim. Ela gostava de aparentar ser melhor que os outros. Às vezes eu achava que ela devia era ter algum problema de auto-estima. Talvez ela fosse insegura de si mesma e tentasse se afirmar através da própria inteligência. E, sem dúvida, ela era muito inteligente. Mas não utilizava sua capacidade para algo produtivo para as pessoas em geral, apenas para proveito próprio. Eu ainda não tinha nem arranjado o livro para ler. Queria esperar para pegar o exemplar de Orlando da biblioteca, estava emprestado, mas não estava reservado. A Heloísa devia ter comprado o dela... Em História da Educação: "Tem um monte de gente de vai entregar quase todas as resenhas no praso para os trabalhos atrasados. Eu, é claro, já entreguei todas." Ela fez questão de frizar a última parte da frase. Eu já havia entregado quase tudo. Faltava aquela que era para ter entregue na semana em que a minha mãe ficou doente. Eu tive de cuidar da casa e da minha mãe também. Mas o professor demonstrou estar satisfeito. "Gostei muito das suas resenhas, Cássia. Quase não faço anotações nelas, você notou?" Eu havia notado. E eu gostava de escrever. Entregaria aquela resenha atrasada, mas a faria o melhor que eu pudesse. Eu tentava não me culpar. Sabia que Heloísa tinha uma cultura geral melhor que a minha, porque ela teve mais acesso a isso que eu . Mas no fundo me sentia insegura. Mas queria mostrar do que eu era capaz. E continuaria tentando. A educação é a esperança dos desfavorecidos. November 22 Sobre a Razão de Ser da HistóriaCecília foi uma das maiores promessas entre os historiadores medievalistas brasileiros. Porque tudo acabou para ela?
* * *
O quarto estava bastante bagunçado. Os livros de história medieval e simbologia religiosa eram os que estavam mais a vista. Havia várias folhas de fichário com anotações com letra grande espalhados. O idioma predominante nelas era o italiano, mas também havia latim e, naturalmente, português. “Vou lá para o subsolo do convento. Vou convencer o professor a me deixar participar. Sou perspicaz o suficiente para ajudar na pesquisa, não interessa se eu enxergo bem ou não. Sempre consegui fazer tudo o que quis. Não vai ser agora que vou deixar de fazer. Ele vai ver que eu posso ser bastante útil. Vou provar isso.” Cecília saiu do quarto. Passou pelos corredores da casa de estudantes sem pressa, tentando não ficar nervosa. Tomou cuidado para não errar ao descer as escadas, pois, ao contrário do que seria conveniente, as bordas daqueles degraus não eram de cor diferente. Assim era fácil tropeçar. Saiu e pegou o ônibus. Iria descer nos arredores do convento. Pegou algumas anotações na bolsa para reler. Não conseguia se concentrar. Tinha medo de ir até lá e não conseguir permissão do professor para entrar no subsolo. Ele devia ter medo que ela se perdesse, pois o subsolo era muito escuro. Mas segundo as pesquisas era lá que os Dominicanos guardavam provisoriamente algumas de suas obras. Portanto poderia haver algo de importante escondido ou esquecido lá. Mas Cecília não sabia nem mesmo como falar com o professor. Ensaiava uma frase, mas logo em seguida concluía que aquilo não era o melhor a se dizer. Só sabia que tentaria. Ela mostraria o seu valor, mas nem sequer sabia se o professor duvidava disso. “Ele é jovem para ser um pesquisador tão importante. Tem opiniões fortes, mas é democrático. É estudioso, esforçado, mas não é um intelectual de gabinete restrito apenas à sua área. É o melhor professor que eu já tive. Eu adoro ele. Quando eu ‘crescer’ quero ser como ele.” Animou-se. Passou a achar que ele a entenderia e a deixaria participar da parte prática da pesquisa. Cecília desceu do ônibus. Caminhou um pouco até chegar ao convento. Tudo estava quieto. Andou ao redor do grande prédio em ruínas procurando encontrar a sua equipe. A encontrou em frente à porta de entrada. -Cecília? Você veio? -Ãhn, professor... É que eu quero participar da parte prática da pesquisa. –Improvisou a moça. -Cecília, pode ser perigoso para você. A iluminação que temos é muito parca. Seria imprudente deixar que você entrasse. -Mas professor, então porque eu vim para cá? Foi difícil conseguirmos vir e quando estamos aqui você não aproveita todos os pesquisadores? -Você sabe que aqui temos acesso a certas informações que não teríamos no Brasil. Não vele a pena corrermos o risco de você se perder. Você está sendo bastante útil na parte teórica, é esforçada, faz observações perspicazes... -Professor –Disse um colega que ouviu a conversa. –Eu posso cuidar da Cecília. Não solto da mão dela... -Mas Luciano, isso não vai atrapalhar você? -Não. A Cecília pode me ajudar. -Posso sim, professor, posso sim. –Disse a moça animada. -Está bem, está bem. Mas não se percam um do outro e nem do grande grupo. Os dois colegas ficaram lado a lado. Finalmente Cecília iria participar da parte prática da pesquisa. O professor organizou o grupo e eles entraram.
* * *
-Obrigado por ter me ajudado, Lucianinho. -Não foi nada, Cecília. Afinal, a pesquisa está dando certo. -Cecília! Preciso falar com você. -Diga, professor. -Queria parabenizar você. Teria sido realmente um erro tê-la deixado de fora. Tens tudo para ser... Cecília abriu um sorriso. Enquanto o professor falava, ela se sentia cada vez mais diferente de seu estado prosaico. Encheu-se de esperança. “Ele me admira então?” -Eu vou abandonar a pesquisa durante um ou dois meses Cecília. Preciso ir ao Brasil resolver a minha vida, casar logo com a minha noiva... O sorriso desapareceu do rosto de Cecília. -Vou deixar um colega meu me substituindo, para não parar com a pesquisa. Mas vou deixar bem claro para ele a importância que você teve nesse trabalho. Cecília não estava ouvindo mais nada. Foi difícil conseguir ser simpática com o colega que a ajudou durante a volta. Ela tinha vontade de chorar. Ao chegar na casa de estudantes, a moça deixou todas as suas anotações no meio das coisas de Luciano, assim elas poderiam servir para algo naquela pesquisa. Agora aquilo tudo não fazia mais sentido para ela. Cecília voltou então para o Brasil no primeiro vôo que conseguiu sem dar grandes explicações. Foi morar novamente em sua cidade natal, onde leciona história até hoje. E até hoje ainda lembra de seu antigo professor... November 17 A Realidade na UFRGSCássia estuda na UFRGS. Mas é muito difícil. Ela tem uma bolsa trabalho. Metade do dinheiro vai apenas nas passagens de ônibus. E vai muito dinheiro em fotocópias. Ela pensa em trocar para o curso de História noturno, mas ela sabe que a biblioteca não funciona a noite. Ela mal tem dinheiro para as cópias, que dirá para comprar os livros! E ela sabe que mesmo que arrume um emprego regular não vai ganhar muito.
Isso sem falar no abismo cultural. Ela nunca teve grande cultura, sua família era humilde. Como falar de Chico Buarque se desde pequena lembra de sua família ouvindo Os Serranos e José Mendes? Como falar de Godard se ela sempre viu apenas os filmes da Sessão da Tarde depois da lição? Como falar de Umberto Eco se sua família sempre leu só o Diário Gaúcho? Ela se esforçava. Mas menos de um ano de faculdade, leituras e procura de cultura, ainda que intensas, não compensava dezoito anos de formação cultural e educação deficientes.
E ainda tem essa do REUNI. Querem fzer a universidade pública, da qual Cássia tem tanto orgulho e na qual foi tão difícil entrar ter um ensino precarizado. Sempre o que é para os pobres é ruim, Cássia sempre soube disso. Mas achou que na universidade era diferente. Ela sabia que a UFRGS era ótima, e era pública. Ela achou que poderia fazer um bom curso universitário. Ela achou que lá na UFRGS o ensino fosse direito de todos. Mas não era.
O mundo exigia muito. Mas não dava nenhuma chance.
Por isso Cássia achava que as coisas deveriam mudar... November 15 Balada dos Três Meninos do IFCHAmigos, eu andei lendo algumas poesias do Manuel Bandeira. Descobri então uma poesia que muito me inspirou, da qual fiz uma paródia. Aliás, ela mesma já é uma paródia. Ela é uma colagem de obras de Olavo Bilac, Mário de Andrade, João de Barro, Castro Alves, Shakspere, Luís Delfino e Eugênio de Castro. Vou colocar a original de Manuel Bandeira e depois a minha criação. O já citado IFCH é o Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da UFRGS. Eu sou aluna do Instituto de Letras, mas a biblioteca das Ciências Humanas compreende também as obras da Letras. Por isso eu vou muito até lá. Aí vão as poesias. Balada das Três Mulheres do Sabonete Araxá (Manuel Bandeira) As três mulheres do sabonete Araxá me invocam, me bouleversam, me hipnotizam. Balada dos Três Meninos do IFCH Os trâs meninos do IFCH me inspiram, me empolgam, me ensinam.
Oh, os trêm meninos do IFCH às três horas da manhã!
O meu reino pelos três meninos do IFCH.
O primeiro me fala de Sócrates e Platão.
O que são os diálogos? E o conhecimento?
O que é?
Ele me ensina.
O segundo me fala do fato social.
Por quê a sociedade é assim? Podemos mudá-la?
Podemos?
Ele me ensina.
O terceiro me fala do mundo como ele era.
Os acontecimentos podem se repetir? Por que a história anda?
Por quê?
Ele me ensina.
Se o primeiro casasse
eu mergulharia nos estudos para esquecer a dor.
Se o segundo sumisse
eu poria a culpa no governo
e me meteria em protesto para derrubá-lo.
Mas se o terceiro fosse embora...
Ah, se o terceiro fosse embora...
Eu perguntaria a ele:
Por quê a Idade Média acabou?
Por quê tudo acabou
antes mesmo de começar?
Se me perguntassem: Queres ser estrela? Queres ser rainha? Queres uma casa em Copacabana?
Eu resoponderia: Não quero nada disso tetrarca.
Eu só quero os três meninos do IFCH.
Meu reino pelos três meninos do IFCH. |
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